Durante muito tempo, tentei viver da mesma forma o ano inteiro. A mesma rotina de exercícios, os mesmos horários de acordar e dormir, as mesmas expectativas de produtividade. Quando o inverno chegava e eu me sentia mais cansada, com menos vontade de socializar e mais vontade de ficar em casa, achava que havia algo errado comigo. Por que não conseguia manter a energia do verão?

Demorou para perceber o óbvio: somos parte da natureza, e a natureza tem ciclos. Os dias mais curtos do inverno naturalmente pedem mais recolhimento. Os dias longos do verão convidam a mais atividade. Tentar ignorar essas variações é lutar contra a própria biologia. Quando finalmente parei de resistir e comecei a ajustar minha vida às estações, muita coisa mudou para melhor.

O convite do inverno

O inverno costumava ser minha estação menos favorita. As noites longas, o frio, a vontade de hibernar — tudo parecia um obstáculo à vida produtiva que eu achava que deveria levar. Fui aprendendo a ver diferente. O inverno não é um problema a resolver; é um convite a um ritmo diferente.

Nos meses mais frios, passei a me permitir desacelerar. Durmo um pouco mais, saio um pouco menos, passo mais tempo em casa com atividades calmas. É a época de ler aqueles livros que ficam acumulando, de cozinhar refeições mais elaboradas, de apreciar o conforto do lar. Em vez de me forçar a manter o mesmo nível de atividade social do verão, aceito que encontros menores e mais íntimos fazem mais sentido nessa época.

Também passei a valorizar a escuridão. Parece estranho, mas há algo acolhedor nas noites longas de inverno quando você para de encará-las como privação de luz. Velas acesas, iluminação suave, momentos de quietude que seriam raros nos dias agitados de verão. O inverno oferece um tipo de descanso que as outras estações não conseguem dar.

A energia da primavera

Quando os dias começam a alongar e as temperaturas sobem, sinto uma energia diferente surgir. É como se o corpo percebesse que o período de recolhimento está terminando e fosse hora de despertar. Aprendi a aproveitar esse impulso natural.

A primavera se tornou minha época favorita para começar novos projetos, fazer mudanças, iniciar hábitos. Há uma sincronia entre a renovação que acontece na natureza e a vontade de renovação pessoal. As faxinas de primavera que parecem clichê têm uma razão de ser — é genuinamente mais fácil se livrar do excesso e reorganizar a vida quando tudo ao redor também está renascendo.

É também quando volto a passar mais tempo ao ar livre. As caminhadas que diminuíram no inverno voltam a fazer parte da rotina. Os encontros em parques, os cafés em mesinhas de calçada. A primavera convida a sair, a mover, a expandir. E atender a esse convite parece muito mais natural do que forçar a mesma coisa nos dias cinzentos de julho.

A plenitude do verão

O verão é a estação da abundância, dos dias que parecem não ter fim, da energia em alta. É quando naturalmente tenho mais disposição para socializar, para atividades ao ar livre, para explorar lugares novos. A tendência a resistir às férias e manter o ritmo de trabalho inalterado vai contra essa energia natural.

Passei a planejar menos coisas intensas para o verão. É quando prefiro viajar, ter mais tempo livre, aproveitar os dias longos sem pressa. O trabalho continua, claro, mas com uma leveza diferente. Projetos que exigem concentração intensa ficam melhor para outras épocas; o verão é para coisas mais leves e sociais.

Também ajusto a alimentação. Saladas frescas, frutas abundantes, refeições mais leves fazem mais sentido quando está quente. Não é uma dieta forçada — é simplesmente o que o corpo pede quando as temperaturas sobem. Seguir esses sinais naturais é mais sustentável do que tentar comer da mesma forma o ano todo.

Uma observação: Se você mora em uma região onde as estações não são tão marcadas, os princípios ainda se aplicam em escala menor. Variações de temperatura, de luminosidade, de umidade — mesmo sutis — afetam como nos sentimos. A ideia é prestar atenção a esses sinais e ajustar conforme faz sentido para seu contexto.

A colheita do outono

O outono tem uma energia de conclusão, de colheita, de preparação. Os dias encurtam, as temperaturas caem, e há um senso natural de que é hora de recolher o que foi plantado e se preparar para o período mais quieto que vem pela frente.

É quando me pego mais inclinada a fazer balanços, a avaliar o ano que está terminando, a ajustar rumos. Projetos que começaram na primavera naturalmente pedem conclusão nessa época. A organização da casa, a revisão das finanças, a preparação para o fim de ano — tudo parece fluir melhor quando feito em sintonia com essa energia de encerramento.

O outono também me convida a desacelerar gradualmente, em preparação para o inverno. Os programas ao ar livre vão ficando menos frequentes, as noites em casa mais comuns. É uma transição suave, não uma mudança abrupta. O corpo e a mente vão se ajustando aos poucos ao ritmo mais recolhido que está por vir.

Alimentação sazonal

Uma das formas mais práticas de viver em sintonia com as estações é através da alimentação. Alimentos da época costumam ser mais frescos, mais saborosos e mais baratos. E há uma sabedoria tradicional sobre o que faz bem comer em cada período do ano.

No inverno, sopas e caldos quentes, raízes, legumes assados. Na primavera, verduras frescas que começam a aparecer nas feiras. No verão, frutas abundantes, saladas, alimentos refrescantes. No outono, abóboras, maçãs, castanhas. Seguir esse ciclo natural conecta a alimentação aos ritmos da terra de uma forma que refeições industrializadas e padronizadas não conseguem.

Isso não significa rigidez. É possível comer frutas no inverno e sopa no verão. A ideia é apenas dar preferência ao que está naturalmente disponível e ao que o corpo pede em cada época. Com o tempo, isso se torna intuitivo — você começa a desejar certos alimentos conforme as estações mudam.

Respeito, não rigidez

É importante dizer que viver de acordo com as estações não é uma regra rígida ou mais uma lista de coisas que você deveria fazer. É simplesmente uma forma de prestar atenção aos ritmos naturais que existem dentro e fora de nós, e de trabalhar com eles em vez de contra eles.

Há dias de inverno em que você vai ter energia de sobra e querer sair. Há dias de verão em que o corpo vai pedir descanso. O convite não é seguir um calendário à risca, mas desenvolver uma sensibilidade aos sinais do ambiente e do corpo, ajustando conforme faz sentido.

Também é importante reconhecer que a vida moderna nem sempre permite esse ajuste ideal. Trabalhos com horários fixos, obrigações familiares, compromissos sociais — tudo isso limita o quanto podemos variar nossa rotina. A ideia não é criar culpa por não viver perfeitamente em sintonia com a natureza, mas encontrar pequenos ajustes possíveis dentro da realidade de cada um.

Reconectando com os ciclos

Talvez o maior benefício de prestar atenção às estações seja a reconexão com algo maior do que nossa vida individual. Por milhares de anos, humanos viveram intimamente ligados aos ciclos naturais. A vida moderna nos afastou disso — ar condicionado, iluminação artificial, alimentos disponíveis o ano todo — criando a ilusão de que somos independentes desses ritmos.

Mas nossos corpos ainda respondem a eles. O ciclo circadiano, os níveis hormonais, a disposição física e mental — tudo isso é influenciado por luz, temperatura, estação do ano. Ignorar essa realidade não a elimina; apenas nos faz viver desconectados de uma parte fundamental de quem somos.

Voltar a prestar atenção às estações é, de certa forma, voltar para casa. É lembrar que fazemos parte de um sistema muito maior, que existia muito antes de nós e vai continuar muito depois. Há algo de reconfortante nessa perspectiva — a sensação de estar inserido em ciclos maiores, de não ser uma ilha isolada tentando funcionar sempre da mesma forma.

As estações vão continuar mudando, com ou sem nossa atenção. A escolha que temos é resistir a esses ciclos ou fluir com eles. E, pelo que descobri, fluir é muito mais leve do que resistir.